23/10/2011

Transparência

Não peço nada além de sinceridade: um tapa na cara, uma verdade que fere, um soco que acorda. É melhor que qualquer tipo de sonambulismo ilusório. As pessoas se habilitam a isso, pensando que, de alguma forma estão amenizando a dor: colocando um pano por cima, varrendo para debaixo do tapete. Pelo contrário, a dor não sentida hoje, se duplica, triplica, quadruplica, qualquer que seja o "plica" no amanhã. Não alimente futuras noites em claro no tremendo escuro da madrugada. Monólogos. Devaneios. Diga que está com saudade quando, verdadeiramente, sentir isso. Não esbanje pseudos-preocupações. Não desperdice "eu amo você". Raízes retiradas matam as flores, as frutas, as folhas... Esperança de um mundo no qual poderemos confiar no que seja ouvido, escrito por qualquer pessoa.

20/10/2011

Título da Postagem


"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..." 

(Mário Quintana) 



18/10/2011

Rosas de Plástico


Sintético. Ferrenho. Inflexível. Imortal. Intransigente. Fechado. Casulo. Sem chaves. Intransitável. Assim são as pessoas "rosas de plástico". Sem raiz, não se alimentam do que vem da terra, não se sujam nem se nutrem. Próprias escolhas. Qualquer lugar. Vaso sem água. Mesa de jantar. Entrada da casa. Poeira.Tem auto-proteção grandiosa, sendo assim, mínimas vezes desabrocham para o mundo. Idéias centradas. Racionais. Cérebro. 10º graus. Lógica. Pouco sofrimento. Pouco envolvimento. Pouco ardor. Pouca entrega. Medo? Lágrimas de cola quente. Cicatrizes as fazem atrofiar. Belas, como todas as flores, tem a inteligência como característica atrativa. Rosas de plásticos explicam o que sentem, tentam decifrar o amor e sonham pouco. Rosas naturais sofrem mais, aprendem mais, amam mais, sonham demasiadamente. Estão dispostas na hora, simplesmente, vão... Como já diria a música: "As flores de plástico não morrem". Estão lá firmes e fortes. Enquanto, as naturais fenecem, porém como toda matéria viva: renascem. Após cada baque, queda, choro. Rigorosas. Corajosas. Prontas para um novo ciclo.