11/01/2012

Oração ao Tempo



És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

Sou grato a Caetano por uma letra tão linda e tão propícia. 
Dando tempo ao tempo, tempo, tempo, tempo...

09/01/2012

Me recolho para me poupar. De que? Nem eu mesmo sei. Mas, preciso de um tempo só meu. Quero poucas palavras. Poucos gestos. Ninguém. Só a mim. Exclusivamente. Sentar-me. Esperar a madrugada, as lágrimas silenciosas. Gritos surdos. Secura. Cansaço. Estou cansado. Meu corpo, mente, alma pedem recesso, calmaria, paz. Vou me deitar. Até "logo"- esse logo é que me assusta.

01/01/2012

Love. Poetry. Beer.

Nesse ano teremos enxaquecas intensas ao entardecer. O trânsito borrará nossas bocas e uma gripe nos acompanhará por uma semana, talvez duas. Uma topada encontrará nossos pés e um "caralho" sairá de nossos lábios. Ficaremos, algumas vezes,  indignados, mas sempre perplexos com os nossos governantes e as esquinas em que desfilam a subcutânea situação do homem. No cinema haverá adolescentes que não lêem dicionários. No banco, filas sem respeito mútuo. Torceremos por um feriado. Contaremos os dias para sexta-feira e os minutos para o expediente terminar. Nesse ano nem tudo dará certo, nem todos os afetos serão correspondidos. A raiva tingirá nossos rostos por um momento e, no outro, as decepções cairão sob os pés. Em outros a felicidade de uma conquista estará personificada em gestos, em um sorriso. Gritos. Gemidos. Prazer. Orgasmo. Tudo com aquele cheirinho de livro recém comprado, de um champagne recém aberto. Cheiro de novo. Que tenhamos o prazer de viver tudo (de) novo. Cada momento tornando-o único. Sem medo. Dando a cara à tapa. Irmanemo-nos. Celebremos. Olá, 2012! Como gostaria de seu café? Sente-se aí no sofá, já eu trago. Fique à vontade. A casa é toda sua.