26/12/2011

Controvérsia


"O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde demais
Pra pedir perdão... Pra fingir que não foi mal
Uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
"sempre em frente" foi o conselho que ela me deu
Sem me avisar que iria ficar pra trás
E agora eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, eram as grades da prisão

O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde demais
Mais uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
É a última janela iluminada
Nada de anormal...Amanhã ela vai voltar
Enquanto isso eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, me enganei outra vez

Eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, era só solidão...
"

22/12/2011

Rouge

‎                                            "Amar e se comunicar se tornou quase impossível para os homens. 
                                                                          Só a fraternidade poderá uni-los..."


A idéia de fraternidade estabelece que o homem, enquanto animal político, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos. Este conceito é a peça-chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. A palavra é eventualmente confundida, distorcida com a expressão caridade e solidariedade. Enquanto fraternidade expressa a dignidade de todos os homens perante seus direitos sociais e igualando-nos, a idéia de caridade cria uma desigualdade, na medida que faz crer que um possue mais direitos e é superior, logo, finda o vermelho. A fraternidade não é independente da liberdade e da igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas.

21/12/2011

Aponte e reme!


                                                                   (Jules et Jim - 1962)

Estava assistindo a um filme do diretor François Truffaut, que particularmente é um diretor que admiro muito, e neste filme: Jules et Jim, há um diálogo muito interessante e sensato:
Jules: -“Eu invejo você pela sua sabedoria Jim!”
Jim: -“Eu? Eu sou um fracasso. Esqueci a diplomacia. Não sou rico. Mas, o que me tornarei? Curioso. Isto não é uma profissão, não ainda. Viaje, escreva, traduza. Aprenda a viver em toda parte. Comece de uma vez. O futuro pertence aos curiosos.”
Curiosidade. Sensação libertadora de atraso. Chute ao comodismo. Adeus ao marasmo. A raiz do medo assombra muito o ser humano, não o deixa apreciar, sentir novos sabores e dissabores, seja qual for o motivo. Perdem-se oportunidades de ampliar a visão. Neste mundo infinito, há tanto desconhecido. Intocado. Inóspito. Por isso, levante-se, procure, leia, veja, sinta! Não há mais dolorosa morte do que a de ter morrido sem ter vivido o possível e o impossível. Faço da curiosidade o meu cerne, minha catedral.

17/12/2011

Dor. Monossílabo. 3 letras. Substantivo abstrato. Peso enorme.

14/12/2011

Idiossincrasia


Minha solitude é árdua e vagarosa como um caracol que se desloca na sua lentidão sobre o limo de sua própria costa.

12/12/2011

Vou estar aqui, seja simples ou não, vou estar. Por mais recheado de dúvidas. Por mais confuso. Medo? Sim, tenho. Confesso. Futuro incerto esse, não? Mas, vou seguir em frente. Só se preocupe em não largar a minha mão... Sentiu que eu apertei a sua?

10/12/2011

Nunca fomos tão felizes!


Tudo bem, não acordei com o melhor dos humores neste sábado. Alguns mais chegados diriam que não é uma grande novidade, 60% de razão. Mas, é extrememante irritante essa exigência de estarmos felizes todo o dia e o dia inteiro, não? Eu, pelo menos, me aborreço demais com isso. Principalmente, nesse tempo de final do ano. Vish! Felicidade imposta por berlindas, cânticos natalinos, vermelhos-verdes e sorrisos de desejo de um ano melhor. Não que eu não goste disso, apenas, não gosto de nada forçado, nada mecanizado, nada imposto. Ações compelidas! Isso tudo me dá náuseas. Como se a felicidade fosse um estado induzido por máquinas que aceitam todo o tipo de cartão de crédito. Ou, ainda, como se fosse manuseável estabelecer um período mágico com cheiro de solidariedade e compaixão. Evidentemente, não tenho absolutamente nada contra a felicidade e o que ela representa. Porém, contra imposições e artificialidades, tenho tudo. O que eu quero afinal? Nem eu sei ao certo, para ser bem sincero. Me igualo à meia-dúzia de desajeitados não encaixados nessa magia, nesse brilho não-eterno, de mentes manipuladas. Que venha 2 de janeiro! Onde as pessoas começam a ser o que realmente são, onde mostram a ignorância, o desprezo, a carne viva de suas faces. Gosto disso! Quando todos são verdadeiros consigo e com o mundo. É um alívio! Haja ceticismo pós-moderno para conviver com tudo isso. Ai, que saudade da boemia da bossa nova, apesar não ter vivido nesse tempo. Tempo de dor de cotovelo, solidão e melancolia. No tempo que doer era tão bom. Não era estúpido. Não era estranho. 

07/12/2011

O meu coração lírico 
se alegra e muitas, muitas vezes chora.
Ele senti, arde
Ele reclama, neura
É um coração amante
é um coração de poesia, nada de prosa
é um coração de versos, estribilhos 
Se amado, se anima, se conforta
Desprezado, murcha e sangra
Se abandonado...
míngua e pára de pulsar.