02/06/2011

Desconectar

Diversas coisas nos prendem. Fazem-nos parar, evitar. A claustrofobia está tão presente. O dia-a-dia é tão asfixiante. Os sentimentos por vezes são esquecidos. A realidade fere nossa pele, faz com que nos esqueçamos do que há por dentro, esfria o coração tornando-o um mero pulsar. O amanhã nos arrepia, nos congela. Esquecemos que o nosso corpo fenece, não admitimos ficar doentes. Queremos saúde, mais saúde, essa física. Deixando de lado a espiritual. Esquecemos de nos libertar de pessoas, opiniões, sentimentos enraizados em nossa falência. Botamo-nos em um quarto escuro, ficamos acuados, aceitamos. Esse quarto escuro que fere a alma. O homem é uma criação divina. Embora todos os avanços da ciência tentem decifrar a combinação perfeita para recriar algo, pelo menos, semelhante a nós, as limitações são evidentes. Na direção contrária o homem vai deixando-se aos montes bem devagar. As mais evidentes características que nos diferencia dos demais vivos vão sendo perdidas pelo caminho. Autômatos repetimos rotinas, tampamos os ouvidos e fechamos olhos para realidade do mundo. Fechamos a janela. Trancamos a porta. Fugimos do mundo, fugimos de nós. Encontrar a si dói, mostra o que há por trás do corre-corre. Tornamo-nos funcionários serventes a objetivos claros. É preciso que o homem tenha, na sua jornada diária, alguns minutos para si, desligando-se das influências externas, dos outros. Permitamos isso. Quantas histórias temos deixado de participar, quantas vezes privamo-nos, isolamo-nos no nosso mundo? Não há tempo para sentar e degustar nossa refeição com tempo suficiente para saciar nossa necessidade, aceleramos as garfadas, atropelamo-nos. O mundo exige bastante de nós, é fato. Mas, é diferente participar e ser tornar escravo. Doemos um instante para nossa vida. Corremos até onde estejam pessoas amadas e demos um abraço, com a mente aberta, limpa. Renasçamos! Sejamos corajosos. Soltemos a borboleta. Permitamos que ela voe com toda beleza guardada em si. 

01/06/2011

Fluir para Fruir

Quantas vezes não estamos querendo controlar tudo? Controlar os acontecimentos, as situações, os outros, os nossos estados de espírito, pensamentos e emoções, até desperdiçar? Precisamos aprender a não controlar, a darmos espaço para as energias do Universo dançarem a nosso favor. O que há de acontecer, acontecerá. A vida acontece! Pra que a pressa? Trabalhemos a calma, até porque a pressão do entorno é muito grande, mas tornemos a nos levantar e deixemos... fluir.


31/05/2011

(à parte)

“Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…”

(Cecília Meireles)

O que há em uma simples palavra? Letras, sons, significados, mistérios e magia. As palavras são tão poderosas e têm um poder praticamente ilimitado. Fazem rir, alimentam os sonhos, derrubam o nosso muro de proteção, acuam torturadores. Em qualquer lugar: pensadores, críticos, poetas, professores, escritores põem em marcha um desarmado exército de palavras que invade castelos, fortalezas, masmorras, casas, escritórios, mentes, corpos. Elas sobem aos palcos, manifestam-se nas telas, habitam livros, alertam, consolam, ferem. Afagadas junto ao ouvido, acariciam a alma. São cinzentas ou coloridas. Podem destruir ou ressuscitar. Adormecer ou despertar. Prometer. Iludir. Precisamos tratar as palavras com carinho, deixar escorrer sua magia natural.



                                 (descreva com palavras o que a imagem desperta em você)