07/11/2011

Ferrugem


Estou cansado, de verdade. Estou desgastado. Não sinto mais prazer. Tudo está demais conhecido, habitável. O tédio faz de mim sua morada. Necessito de novidade. Estou enfastiado de tudo que eu ouço, vejo, leio, sinto. Estou cercado de poeira. O vento que passa por mim já tem o cheiro e sabor extremamente reconhecidos. Quero uma catarse! As pessoas estão muito normais para mim, muito previsíveis. Vejo pessoas com a mesma idade que eu, se divertindo tanto, aos finais de semana, indo para as mesmas coisas há bastante tempo: festa, badalação, gritaria... diversões instantâneas e momentâneas. Prefiro mil vezes ficar em casa comigo ou conversar com os amigos em um lugar afastado, calmo. Sou um velho de 18 anos, admito. Às vezes fico com saudades de momentos que ainda não vivi. De sentimentos que nunca senti. De pessoas que não conheci. Estou exausto de tudo, de todos. Estou enclausurado. Enjoado desse meu eu. Quero um novo! Estou em busca enquanto a luz do sol não se apagar e houver ar para respirar. Exagero nas palavras, meus versos estão usados, borrados. Minha vida está um verdadeiro ponto em seguida, onde eu vou caminhando, seguindo... ferrugem.


"No mais, mesmo, da mesmice, sempre vem a novidade." (Guimarães Rosa)

31/10/2011

Desconexo

                                                        
Nada mais poético do que não ter certeza de absolutamente nada. Para quê ter  fingir ter convicção sob algo que lá na frente pode te surpreender? Os melhores amores, sentimentos, sensações e emoções não são palpáveis, escapam entre os dedos, vêm das maiores dúvidas. Tudo segurado à força torna-se real demais para essa vida e, logo, perde seu nobre valor. 
                                                             

26/10/2011

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Na minha vida sempre pus metas escritas em pedaços de papéis. Muitas delas, não realizei. Não culpo ninguém, e seria um tolo se o fizesse. Mas, sempre acredito na minha capacidade de ultrapassar limites. Nas transformações que habitam o meu ser. Sou meu próprio inferno. Todas as interrogações profundas no meu cerne são devido a minha personalidade, ou quem sabe, a falta dela. Às vezes me ponho em uma redoma de vidro, porém depois de alguns segundos saio dela. Esse caos enfrentado. Essas sufocantes responsabilidades me frustram. Me fecham. Me cercam. Me levanto. Caminho. Cambaleio. É muito difícil. Viver é tarefa árdua. Ainda mais quando se é questionador. Poucas pessoas e coisas me agradam. É preciso ter força. E, a encontro em seres que dividem comigo os sentimentos mais sublimes. Agradeço a eles. Sei que sou capaz. Forte. (Fraco). Acho que o falta pra mim é degustar novas experiências. Tudo tá com poeira. Conhecido. Não desejo mais sentir esse vácuo. Essa rotina controladora de impulsos, de devaneios, me fere. Enquanto não ocorre alteração, tenho a minha vida na madrugada. Meus silêncios. Meus desabafos. Meus choros. Meus gritos. Meus textos. Meus filmes... Tenho a mim.