05/05/2011

sem sentido...

                        “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir,
                                de entrar em contato...  Ou toca, ou não toca.” (Clarice Lispector)




Sinto. E pelo fato de sentir me sinto sensível. Sinto como uma pessoa. Não qualquer pessoa. Nem sinto menos nem mais que ninguém. Sinto diferente. O fato de não poder definir esse sentimento que sinto é uma maneira de sentir particular. Sinto tudo. Sinto com o corpo. Sinto que se ficar sem sentir não haverá mais sentido. De estar aqui só sinto que vai passar. E, se eu não sentir não sei o que acontecerá. Sinto para viver. Para reconhecer, sinto, simplesmente, por sentir. Mas, não um sentir banal. Um sentir, que para mim, é importante. Sinto que sinto que ninguém vai entender como me sinto e nem como eu sinto. Não tem importância. Nem eu sei ao certo porque sinto e nem como sinto. O sentir é meu, não há razões para alguém sentir o mesmo que eu. Nem há motivos para dizer o que sinto. Não há pretensão em que tenha sentido o que sinto. Sentir é sentir. Entendeu o meu sentido? 

03/05/2011

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No meio do caminho
(Carlos Drummond de Andrade)

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minha retina tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.



Em "No meio do caminho" há a presença da poesia antipoética, da lírica antilírica. Antagônicos, não? A travessia de todos nós entre o individual e o social é tênue. E, com ela o coração e a pedra no meio do caminho, caracterizado pelo mundo, se misturam. A pedra repetida por diversas vezes não só no poema como na vida nos faz parar, evitar, recear. Mas, não devemos dar sinal de "tudo bem". Não nos deixemos cessar. Não deixemos que o mundo nos transforme em pedras. Não nos deixemos permitir. Não abandonemos o lirismo. Procuremos: seguir...

01/05/2011

Sa(udade)vanna.


É estranho pensar. Difícil compreender. Após dias, meses, anos sempre juntos. Em qualquer lugar. Sem a necessidade de nos mostrar para o mundo, de dizer aos quatro ventos que nos temos. Sem a necessidade de outros olhares para dar opiniões sobre que sentimos um pelo outro. Não te ter todo o dia, está sendo bem complicado. Na minha vida, sinceramente, nunca imaginei esse momento. Acho que pelo fato de nunca ter que imaginar algum dia sem a tua presença. Achava simplesmente que esse dia nunca iria chegar ou simplesmente fechei os olhos. Mas, tive/tenho que me conformar. A palavra é essa: conformar. Pois, compreender, não compreendo. Não consigo. O tempo fez isso acontecer. Já não temos 13, 14, 15 em que tudo era bem fácil. Temos responsabilidades enormes em cima dos nossos ombros. Dificuldade de se adaptar a esse novo mundo que entramos sem pedir permissão e nem com um convite de antemão.
Está sendo tudo novo pra mim, é estranho pensar que preciso fazer novas amizades, me permitir entrar na vida de outras pessoas, me preocupar com problemas de outras pessoas, saber da vida de outras pessoas, contar meus problemas... nunca imaginei o quão isso seria complicado, nunca mesmo. Sabes o quanto, pra mim, é difícil ter que “viver” com outras pessoas. O quanto sou fechado para novas amizades, o quanto não consigo permanecer com elas por muito tempo. Sabes o quanto és exceção. Porém, tive que me mudar pra ver se consigo conciliar a falta que me fazes. Me sinto incomodado.
Um dia, dois dias no máximo estão sendo difíceis. Algum dia além de me conformar, vou me acostumar. Não aceitar. Fazes muita falta: todo dia, em cada passo dado.  

“E se o tempo for te levar. Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar”