09/07/2011
Gotas.
Vejo. Reparo. Detalhes, para mim, são bastante importantes. Alguns passam despercebidos, confesso. Não sou tão minucioso assim. O que me faz mais parar e em seguida refletir, perder a noção do tempo, é a natureza. Tão elegante. Tão exuberante. Tão ali. Deixa-me por várias vezes perplexo. A sua imensidão me espanta, arrepia. Deixa-me com várias interrogações. Sinto muito isso. A partir daí, reconheço minha pequenez, que sou apenas uma grão de areia, perto de um oceano, céu, horizonte. Sou tão insignificante em comparação à Ela. Se eu morresse no instante que estivesse parado a observando, o que iria mudar? O oceano iria mudar de cor? O céu iria apagar suas nuvens? Óbvio, que absolutamente nada iria modificar-se. Eu viraria pó, o vento carregaria-me e o céu continuaria com seu lindo azul e suas nuvens formando a nossa imaginação. Sempre foi assim, é assim. Admitamos, somos: nada, perto da magnitude do que é posto a nós, do que está tão perto e que não ligamos, até desdenhamos. Somos nada perto da grandiosidade do mundo. Somos tão pequenos em todos os sentidos. Pequenos e hipócritas. Pequenos seres a serem guiados e inspirados na tentativa de compreender o verdadeiro sentido da vida, da alma, do universo. Tão pequenos, tão pequenos, que vivemos à procura de um mundo perfeito para nós. Em busca de um mundo sem desigualdade, mas que o preconceito assola nosso espírito. Tão pequenos, tão pequenos que nos contentamos com meio minuto ou alguns centavos. Que alicerce é esse? Somos inferiores, desculpe a franqueza. Somos a consequência, esquecendo da causa. Esquecendo do que somos: gotas, na tentativa do engrandecimento para, pelo menos, transformarmo-nos em meio copo d'água.
