30/08/2011

Dentes, Garras, Sangue.

Ele girou o pedaço de pau com toda a força, pondo no giro todo o peso de seu corpo. Quando o objeto atingiu a cabeça do oponente, ele sentiu seu corpo tremer e quase parou devido o impacto. Suava em abundância. Houve um esguicho de sangue, que espirrou em sua blusa branca, deixando em evidência aquele vermelho, cor de cobiça.
A platéia urrava por mais. Aquilo ali, não era o bastante. Xingavam com vigor. Pressionavam. O espetáculo apenas estava no começo. O próximo chegou, outro homem preparado para lutar vorazmente até o último suspiro. Trocavam-se apostas. Quem seria o campeão? Circulavam próximo ao outro. Não havia ódio, rivalidade. Somente, a vontade de ganhar, a vitória era o que mais importava. Ouro, fama e dinheiro estavam ao alcance do vencedor, mas antes deveriam ultrapassar todos os obstáculos. 
Suor e sangue eram um só. Músculos enrijeciam exaustivamente. Rodeavam-se como animais selvagens, sem razão, apenas emoções primitivas. Sobreviver era o principal. A única e mais importante coisa que importava naquele momento.
Ele avançou com o pedaço de pau que, logo, fez sangrar a cabeça do oponente. Em seguida, acertou um chute, derrubando o adversário, aproveitando-se disso para dar mais chutes no estômago. O público urrou mais uma vez em um frenesi insaciável. Ele arfava com dor e continuava a espancar a massa morta que um dia fora seu último oponente. A platéia aplaudia estontiantemente enquanto o narrador berrava o mais alto que sua voz permitia para anunciar o vencedor. O campeão estava exausto. Foi uma fera sedente. Agora, descansava no pódio. Estava contente. Realizado. 


(O que você faria por vitória, sucesso, reconhecimento?  Qual tipo de armas usaria? Qual animal seria despertado em você?)

20/08/2011

Maneater.


Se há uma pessoa que traduz tudo de maravilhoso que vivi em um ano de minha vida e fez dele, um dos melhores, essa pessoa, sem dúvida é você! Não sei o que nos fez sermos amigos, companheiros... Foi algo divino, vejo assim, chegaste na hora em que eu estava só, ao redor de 70 pessoas aleatórias. Vieste com cuidado e foste me conquistando de uma maneira tão forte, tão simples... Com cada piada idiota, com cada ato distraído. Foi apenas mais alguns dias para nossas almas se conectarem, pronto, estava feito. Estávamos juntos, a partir daí, dividimos alegrias, confissões, tristeza, principalmente, éramos nós mesmos, sem algum tipo de vergonha: patetas, crianças de 15 anos. Como apenas um toque faz com que as pessoas mudem? Mudaste. Mudei. Mudamos. Fiquei distante bastante tempo, verdade. Isso me entristece muito, perdi vários acontecimentos em que a felicidade estava presente e ausente. Não os compartilhei contigo. Porém, de nenhuma forma estavas longe, esquecida dentro dos meus pensamentos, sempre pedi a Deus ou qualquer outra divindade, que te protegesse e iluminasse teu caminho por onde quer que pisasses. Mas, estou de volta e fico bastante impressionado como "nada" mudou, continuamos os "mesmos". O mesmo amor, carinho, afeto, admiração um pelo outro. Está aqui a Amizade. Mudamos demais, não é? Cada escolha que fizemos... Nos adaptamos à elas, demo-nos as mãos e remamos. 
Hoje, vejo-te com outros olhos, vejo que amadureceste demais, não és mais aquela menina que chegava à sala chamando atenção de tudo e todos, com um grito ou alguma queda (rindo). Pela pessoa que és, Amiga, sinto admiração. És uma mulher de personalidade forte, de alma boa, não ingênua, de um coração tão belo, que poucos o tem, sinto-me lisonjeado por tê-lo comigo. 
Quero que sejas muito feliz, Amiga. Que cada escolha que fizeres seja a mais sensata, e se não for, não se preocupe, pois estarei contigo, ao seu lado. Que compartilhemos muito momentos juntos por essa vida linda que há abrindo-se a janela. Parabéns! Amo você. 

"Everybody look at me me
I walk in the door you start screaming
C'mon everybody what you here for
Move your body around like a nympho
Everybody get your neck to crack around
                    All you crazy people c'mon jump around" (2008/(...) - você)

16/08/2011

Eu > tu > ele.

Em uma sociedade predominantemente capitalista, a idéia de um ganhar e outro perder, é quase um pleonasmo. Viver aos moldes do capital exige de todos o despertar de um animal com sede de vitória. Assim, o sistema - impiedoso - exclui a minoria que não se adequa, logo, dá início a preconceitos, repugnâncias, violência. Altruísmo se vê pouco, em oposição ao rei dos discursos: "Eu posso, Eu quero, Eu faço..."
Um exemplo desse egoísmo nato é a escola, onde a forma de se sobrepor ao outro é em um conhecimento (falho), onde aprende-se a calcular, interpretar questões e redigir textos rapidamente. Entretanto, quem consegue driblar tudo isso com maestria é denominado inteligente. "Todos" querem esse lugar. Então, começa  uma guerra, em busca do poder de ser esclarecido, mas não sutil. E quem está de fora é considerado burro, preguiçoso. A verdade é que se aprende mais na rua do que em quatro paredes que fazem um ângulo de xº.
Porém, houve, sim, um tempo em que o homem por sobre a Terra viveu em harmonia. Difícil de acreditar, mas houve. Nos primórdios do planeta, os antepassados viviam bem em comunidade, a partilha era lei que vigorava. Todos comiam. Todos bebiam. Interdependência. Para reprimir esse sossego adquirido pelo homem, o próprio criou as tecnologias, indústria da moda, dinheiro. Antes, o líder era aquele que obtinha maior conhecimento. Passado alguns séculos esse conceito mudou. Foi propriedade de terra, escravos, operários e, hoje? Pedaço de papel com faces de homens poderosos, representado em objetos que se fenecem, se deterioram. 
O que se vê, se vive é o atrofiamento do cérebro, como consequência o atrofiamento das idéias e ideais. O eu está demais em vigor, conjugado em verbos egocêntricos. Perde-se o nós: Nós faremos, Nós conseguiremos, Nós ajudaremos. Onde está? No período das cavernas, certamente, esquecido pelo homem, esse animal troglodita.

13/08/2011

Suor, lama e bolhas de sabão.

Levei a minha irmã ao parquinho semana passada. Uma coisa banal, não? Que passa despercebida. Mas, depois de algum tempo sentado esperando o tempo passar, refleti a respeito do que estava diante de mim. Bateu uma saudade. Ao assistir todas aquelas crianças: rindo, brincando, gritando, se sujando, percebi o quanto a infância me faz falta, o quanto ter 4, 5, 6 anos é nostálgico. Cada um de nós é o que é, pela infância. Tudo o que somos, o que pensamos, o que queremos é construído nessa etapa da vida. Elaboramos um "nós". A infância é o chão sobre o qual caminharemos o resto dos nossos dias. Se for esburacado demais tropeçaremos mais, iremos cair com menos dificuldade e quebraremos a nossa cara - o que pode até ser benéfico, pois nos dará um leque de chances para reconstruirmos nossa face, quem sabe até uma face mais autêntica, mais nossa, sem necessitar de detalhes alheios. Todos os contornos do nosso eu são compostos nessa etapa e são eles que proporcionam a nós o tamanho de nossas ampliações e limitações. Como escutamos a frase: "criança não pensa", não é? Criança pensa! E, faz algo mais importante que quando amadurecemos, esquecemos: ela é. Admirando uma mancha na parede, um sujo em suas mãos, um inseto na grama, uma rosa no jardim, ela é tudo isso que repara. Da mesma intensidade que ela é a frieza e indiferença dos adultos, assim como o amor verdadeiro. A criança tem algo mais válido que a consciência, do que o anjinho e o diabinho, ela obtém o saber inocente. Perdemos essa sabedoria da inocência na medida em que vamos crescendo em altura e conhecimento, e assim nos encaixamos em outra realidade. Triste o fato de atingirmos a idade em que tudo se complica, parece sem novidade, olhamos pra uma flor, céu, sol, chuva: corriqueiros. Triste também pensar que a realidade bate a nossa porta todo dia, exigindo que estejamos de pé às 6h para estudar, trabalhar, engolir o café da manhã. Responsabilidades fazem de nós quem somos, o que - na maioria das vezes - queremos. Fazem de nós animais selvagens. Não é culpa dos outros se somos incompletos. Em cada estágio pode-se colocar um traço, algum ponto, uma cor no projeto que pretendemos ser. Somos tudo isso. Construído na infância. Aperfeiçoado na maturidade. 

09/08/2011

Epiderme da Alma.


A forma como a alma se expressa é serena, mansa, sem crista ou depressões. A fisionomia da alma é a da paz. A alma não se enaltece nem se desanima. Se expressa sempre no mesmo grau, pelo motivo dela não buscar nem evitar, simplesmente: nada. Não tem que ir nem chegar. A alma resisti ao que é enxergado, sem ter que justificar-se. A alma se diverte e existe sempre da mesma maneira. Tudo para ela é vida, ardor. A expressão da alma é a mais pura, singela e real do seu eu interior. Do seu esconderijo mais profundo. Do lado obscuro que habita cada um. O ser interior, quando se expressa, é a expressão da verdade, daquilo que é sentido e visto além dos olhos, sem subterfúgios, sem joguinhos sociais, sem maquiagem. Tudo é despido. Jogos e máscaras só encontram pontos em seguidas em outros jogos e máscaras, onde a permissão é encontrada. A alma quando se expressa, é sentida, vista e amada. A sua expressão toca o fundo das pessoas, de maneira sublime. Tocar as pessoas é um aspecto da alma. Para acharmos a pessoa do outro, precisamos nos expressar com a nossa alma. É ela que atinge, transforma e faz atiçar na alma: a proximidade, o toque. Na vida, não há caminho de ser efetivo sem a expressão da alma. É necessário que a alma do outro se expresse para ser recebida e atingida pela sua. A sua alma é um convite para a expressão da alma do outro. Se sua alma se esconder, se evitar, você estará demonstrando ao outro que a alma dele também não poderá ser exprimida. Então, não haverá a colisão curativa. Ele perceberá que junto de você não existem meios para que a alma dele se expresse. Uma vez que você evita a sua própria, como, então, poderá receber a dele ou a de outros? Você só receberá a alma do outro se estiver à vontade com a sua, harmonioso com seu eu. Você só achará o outro se antes tiver se achado com você. Sem você não poderá existir o outro, não poderá haver elos.