31/05/2011

(à parte)

“Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…”

(Cecília Meireles)

O que há em uma simples palavra? Letras, sons, significados, mistérios e magia. As palavras são tão poderosas e têm um poder praticamente ilimitado. Fazem rir, alimentam os sonhos, derrubam o nosso muro de proteção, acuam torturadores. Em qualquer lugar: pensadores, críticos, poetas, professores, escritores põem em marcha um desarmado exército de palavras que invade castelos, fortalezas, masmorras, casas, escritórios, mentes, corpos. Elas sobem aos palcos, manifestam-se nas telas, habitam livros, alertam, consolam, ferem. Afagadas junto ao ouvido, acariciam a alma. São cinzentas ou coloridas. Podem destruir ou ressuscitar. Adormecer ou despertar. Prometer. Iludir. Precisamos tratar as palavras com carinho, deixar escorrer sua magia natural.



                                 (descreva com palavras o que a imagem desperta em você)

30/05/2011

Emaranhado

Tenho tanta coisa para pensar, tenho tanta coisa para decidir, para fazer, para opinar, para resolver... Minha cabeça esses tempos não anda no lugar correto, esse, acima do pescoço. Ela anda voando por aí, à procura de calma, de tempo. Só durmo tranquilo, após tudo estar pronto no seu devido lugar. Acordo formulando o que vou fazer no decorrer do dia, veja só. Regulo meus passos, vou à busca de soluções. Chegar em casa já foi há anos atrás: relaxar. Hoje, se transformou em: organizar, ajeitar, terminar. Não tenho tanto tempo para as pessoas, esqueço até de mim, de como estou "físico-psicologicamente".
Encontrei a personificação da responsabilidade. Sinto a seleção natural na minha suada pele. Nunca tive que pensar tanto no dia de amanhã, nunca administrei tanto o que deveria fazer para tudo dar certo às 8h. Nunca, o hoje foi tão rápido e curto ao mesmo tempo e o ontem um simples: alívio. Minha vida tem seguido esse ritmo rápido, sufocante. Nunca perdi tanto a paciência. Eu que antes me privava disso, respirava, contava até 1000 se possível. Hoje, não chego nem a 10. Chego a não ser paciente nem comigo.
 As contagens do calendário, as diminuições dos dias por várias vezes alegram-me e entristecem-me. Finais de semana são catarses. De repente, chega domingo e consigo pensamentos de outra semana que virá. Enquanto tudo é muito novo para mim, eu estranho, reclamo, quero fugir. Entretanto, sei que uma hora minha mente e meu corpo se acostumarão com esse ritmo. Pois, os dois encontram-se murchos. Espero que tenha equilíbrio, paz de espírito, saco, cabeça, Deus, luz... tudo que possa ajudar-me a respirar com mais calma, respirar fundo para depois sentir-me leve. Preciso de várias pessoas, principalmente, de mim. 

29/05/2011

?


Escolhas são tão difíceis. Há duas possibilidades à “esquerda” e à “direita”. Uma delas tem que ser seguida. Há nessa escolha: um perigo, o medo, uma (pré)ocupação. Não há como saber se no meio do caminho o arrependimento irá, logo, entrando. Sem querer saber se o deixarei, se darei algum tipo de permissão. Ele chuta a porta com força e se senta ao meu lado no sofá, tão calado, tão sufocante. Porém, posso encontrar a satisfação. Quando, o que espero que encontre lá no fim, seja o que no começo estava com receio ao dar os primeiros passos. Nos últimos tempos tenho vivido uma gama de opções, um leque de variáveis situações nunca imaginado. Não sei se vou fazer as escolhas certas nem para qual lugar elas me levarão e como sairei delas. Isso, só a sabedoria dos anos poderá me dizer. Não se consegue viver em cima do muro, apartar-se desse processo, todo o movimento do viver se reflete naquilo escolhido por mim a cada segundo. Ir e vir, as roupas a vestir, o sorriso a ser colocado no rosto para enfrentar as pessoas, o continuar, o dia. A dúvida está presente na minha vida. Porque é tão inútil ter certeza das coisas, qual é a graça? Perde-se a emoção, o mistério, o suar frio. Decidir é vital e também complexo, porque quando decido, influencio a tudo e a todos ao meu redor. Erro. Acerto. Cambaleio. Fico firme. Sigo. Enfrento. Vou até o fim, mesmo muitas vezes me precipitando. Apenas quando chegar ao fim da linha, colherei os frutos e medirei o primeiro passo dado. 

24/05/2011

Dissolver e Recompor


"Eu varro a sala, eu rego as plantas
Abro as janelas pro ar circular
Faço uma faxina pra limpar a casa
Faço uma faxina pra arrumar a vida
Pra dissolver e recompor
Até os infortúnios tem o seu valor
Na oportunidade de aprender com a dor
Portanto, a gratidão jorra pela fonte do meu coração
Tá no interior e ao redor
No trabalhar, no querer
Faz e não dá ponto sem nó
É o Mistério, é o Poder"

Há sempre coisas que nos abalam de alguma forma, que nos fazem ir ao ralo. É aquele velho ditado: “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. E, de repente diante de nós aquela imagem já imaginada, mas não vivenciada está diante de nossos olhos. “Jorram nós” aos montes. Dissolver.

Mas, aí, temos que seguir em frente. Pois, até os infortúnios têm seu valor. Ganhamos mais força. Voltamos diferentes. Limpamos-nos. Arrumamos a vida. Recolocamos a peça que estava perdida do quebra-cabeça e... ficamos completos. Recompor. 

22/05/2011

Que haja Luz!


“Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Quando chega em casa do trabalho quase vivo

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Liberdade pra escolher a cor da embalagem

Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é normal (...)

Nessa Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Se o cara mente, mas tem cara de honesto

Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o normal
Finge que não vê, diz que não foi nada e leva mais porrada (...)”

http://letras.terra.com.br/engenheiros-do-hawaii/835862/

São caminhos infindáveis, atravessados continuamente. São as ruas de asfalto negro, com altos muros, que nos guiam num ziguezague frequente às entranhas desta inóspita selva vista ao abrir a janela. Neste lugar, onde as sombras e, apenas elas se apertam, se machucam, se pisam, se ultrapassam... Retorna Verde, estás “desculpado”, trás de volta a harmonia. Trás contigo o Sol, a Luz! 

21/05/2011

Novidade



“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soia.”

(Luís de Camões)

Olhe para direita, para esquerda, para cima, para baixo. Crie novas expectativas. Neste mundo, estamos apenas de passagem e temos que aproveitar as oportunidades. Liberte-se! Experimente coisas novas. Novos sabores. Novas cores. Novas texturas. Novos amores. Se não gostar, mude de novo. Se gostar, experimente outra vez. Cresça com a mudança. Mude com o crescimento. Evolua. Mudar é preciso. Tira as teias, retira o pó. Mudar aumenta nossos limites e nos aproxima da felicidade.

19/05/2011

Amontoado

Às vezes sinto-me só. Às vezes sinto-me vazio, como um nada. Um nada além disso. Simplesmente, isso. Um mero ser habitante desse planeta enorme. Às vezes sinto-me privilegiado. Iluminado. Como se fosse melhor que alguém. Muitas vezes não sei o que me falta. Quero tantas coisas ao mesmo tempo. Quero tudo. Quero em excesso. Quero, por ter. Muitas vezes quero: nada. Quero o mais vazio de um copo, o mais seco dos olhares, o mais confuso que possa ser viajar comigo.
Certas vezes não sei o que quero, acho que tudo que faço, que estou fazendo ou que estou com pretensão de fazer é inútil, é pó. Sinto-me perdido. Certas vezes sei o caminho e caminho até o fim. Vou à procura de algo que me falta. Arrisco-me. Não ligo para o que possa impedir-me. Vou. 
Choro, sempre chorei, mas hoje deixo que as lágrimas façam o trabalho como deve ser feito, retiro de mim o que deve ser retirado. Cansei de guardar, de segurar, de respirar fundo. Solto. 
Acordo, reflito, paro. De manhã faço isso. Questiono-me o porquê de levantar ou levanto já correndo para tomar banho e saio sem tomar café. Acordo, penso, sigo.
Vou ganhando, vou perdendo. Vou seguindo.. Não sei, nem quero saber para onde essa minha vida vai me levar, só sei que quero seguir: tropeçando, caindo, levantando, não sabendo o que quero, tendo certeza do que desejo, com os meus altos e baixos da minha personalidade, com as minhas dúvidas, com pessoas que mereçam  o entrelaçar das mãos, com pessoas que permitam ser quem sou, quero seguir sem máscaras, sem esconderijos, sem penumbras, quero a luz à frente. Não quero o mais fácil. Quero ter tudo que posso ter, obtido pelas minhas próprias mãos. Quero não depender de ninguém. Quero não dar mais satisfações a ninguém, quero não responder a tantos porquês, quero não me justificar tanto, nem me ferir tanto em busca de tantas respostas. Quero ser livre, ter asas para que o vento possa passar por elas de um jeito que se integre. Quero caminhar. Quero olhar para trás e sorrir. 


13/05/2011

"Eu somos tu"


Estávamos eu e eu deitados na cama. Quando eu perguntou-me:
- És feliz?
Eu respondi:
- Como assim?
Nunca esperava aquela pergunta, vindo daquela pessoa que estava ao meu lado, fui pego de surpresa, foi como um golpe. O que eu iria responder? Não sabia. A técnica de responder uma pergunta com outra, sempre é bem vinda. Se não é, foi essa que utilizei. Espero que tenha servido de alguma coisa. Que pergunta mais sem cabimento, sem lógica, sem momento.
- Ainda não me respondeste se és feliz ou não.
- Nunca vi pessoa mais insistente.
- Sabes que sou assim, conheces- me bem. Não se finja de desentendido. Você é que não gosta de responder, de falar nada, fica sempre aí: calado.
- Você que é um chato, quer saber de tudo. Não se contenta com o óbvio, quer mais e mais. Pura chatice. Não vejo razão para ser assim...
- Ok. Não queres responder. Tudo bem. Responda-me, no mínimo, esta pergunta. Promete?
- Vai adiantar se eu não prometer? Sei que vais insistir.
- É verdade, ainda bem que sabes.  Como anda a vida?
- Acho essa mais fácil. Saiba que estou bem, tenho casa, carro, mulher, filhos, um bom emprego...
- E como andam as finanças?
- Já disse que está tudo bem. Tenho tido dinheiro para pagar tudo que devo.
- Ah, sim. Que bom!
- Só isso?
- Sim, só!
- Estranho. Não entendo.
- O que não entendes?
- Você parar apenas com essas respostas banais, sem graça. Se fosse antes não se contentaria apenas com respostas que não envolvem sentimentalismo bobo.
- É verdade, mas vejo que se isto te faz feliz, quem sou eu para desmentir?
- Quem és tu para desmentir-me? Apenas eu. És parte de mim. Sabes quando minto ou não. Quando me escondo por trás de valores tão inúteis quanto a minha hipocrisia. Valores tão pequenos quanto a minha liberdade. Sabes de tudo isso. Conheces-me mais do que ninguém neste mundo.
- Entendo, eu. Só que de tanto me dares essa resposta nas noites mal dormidas, nas manhãs que acordas fingindo felicidade ao sair de casa, no bate-papo com os amigos no bar, no status que fazes de mim para os outros. Acostumei-me.  Infelizmente.  Sou deixado muito para trás. Sinto-me apagado. Ofuscado, de lado. Sempre. Nunca sou tirado da escuridão, nunca fui a um churrasco com nossos amigos do trabalho, nem a um natal com a família da nossa mulher, nem a uma reunião dos nossos filhos, nem a um aniversário nosso. Não me sinto feliz. Nem recompensado por nada. Então, quero dizer-te que ficarei mais para trás ainda. Estou desistindo de mim.
- O que farás?
- Vou dormir.
- E quando acordarás?
- Quando estiver preparado.
- Vais demorar?
- Não sei, não depende de mim. Depende do meu outro eu.  Enfim... aguardo-me de olhos fechados. Espero que possa abrir neste mundo, ainda. E, que não seja tarde demais.
- Boa noite, eu.
- Boa noite.  

11/05/2011

Stop/Play




É incomodo assistir tanta gente necessitada de sobrevivência. E não me refiro apenas àquelas que ganham salário mínimo, mas de executivos que vivem agoniados com diversas pressões, de empresários que se afastam de suas famílias, de pessoas de todos os níveis sociais que estão sempre sobressaltadas perante a vida. São pessoas que não vivem. Apenas sobrevivem como se estivessem numa crise asmática permanente. Aquela eterna falta de ar seguida de um rápido alívio. Logo depois, sentem de novo a necessidade de um aerossol. Sobreviver é trabalhar em algo sem sentido só para pagar as contas; é fazer joguinhos de poder para manter os status; é sair com alguém que não se ama somente para abrandar a solidão; é ter relações sexuais só para conservar o casamento; é não conseguir despregar os olhos da TV, com medo de escutar a voz da consciência; é evitar algum ruído; é ter de beber para “esquecer”. É a eterna procura da evasão. (Stop)

A sociedade nos exige diariamente que nos transfiguremos em máquinas. Todos os dias, pela manhã, uma multidão liga seu corpo e sai pela porta para uma repetição infinita de ações habituais sem nenhuma relação com seu talento. Fazer o mesmo trabalho que não tem nenhuma relação com sua alma.Quando uma pessoa não prefere o que prefere, acaba se traindo. As escolhas de nossa vida têm sempre de privilegiar a nossa essência. Quantas vezes acabamos nos dedicando exclusivamente à sobrevivência?

Viver é ser dono do próprio caminho. É ser participante do jogo da existência, e não mero espectador. É viver as emoções, é ter os próprios pensamentos e viver os seus sonhos e suas angústias. Sobreviver é regular o tempo para que o dia termine. É conseguir ter dinheiro até o próximo pagamento. É respirar de alívio ao fim do expediente. É ir resignado de casa para o trabalho e do trabalho para casa. É não ter de arriscar nada... O ser humano merece mais do que, simplesmente, riscar dia após dia o calendário. Merece a plenitude da vida. (Play)

"E eu recuo, eu prossigo e eu me agito
Eu me omito, eu me envolvo e eu me abalo
Eu me irrito, eu odeio, eu hesito
Eu reflito e me calo..." (Elis Regina)

05/05/2011

sem sentido...

                        “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir,
                                de entrar em contato...  Ou toca, ou não toca.” (Clarice Lispector)




Sinto. E pelo fato de sentir me sinto sensível. Sinto como uma pessoa. Não qualquer pessoa. Nem sinto menos nem mais que ninguém. Sinto diferente. O fato de não poder definir esse sentimento que sinto é uma maneira de sentir particular. Sinto tudo. Sinto com o corpo. Sinto que se ficar sem sentir não haverá mais sentido. De estar aqui só sinto que vai passar. E, se eu não sentir não sei o que acontecerá. Sinto para viver. Para reconhecer, sinto, simplesmente, por sentir. Mas, não um sentir banal. Um sentir, que para mim, é importante. Sinto que sinto que ninguém vai entender como me sinto e nem como eu sinto. Não tem importância. Nem eu sei ao certo porque sinto e nem como sinto. O sentir é meu, não há razões para alguém sentir o mesmo que eu. Nem há motivos para dizer o que sinto. Não há pretensão em que tenha sentido o que sinto. Sentir é sentir. Entendeu o meu sentido? 

03/05/2011

Seguir


No meio do caminho
(Carlos Drummond de Andrade)

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minha retina tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.



Em "No meio do caminho" há a presença da poesia antipoética, da lírica antilírica. Antagônicos, não? A travessia de todos nós entre o individual e o social é tênue. E, com ela o coração e a pedra no meio do caminho, caracterizado pelo mundo, se misturam. A pedra repetida por diversas vezes não só no poema como na vida nos faz parar, evitar, recear. Mas, não devemos dar sinal de "tudo bem". Não nos deixemos cessar. Não deixemos que o mundo nos transforme em pedras. Não nos deixemos permitir. Não abandonemos o lirismo. Procuremos: seguir...

01/05/2011

Sa(udade)vanna.


É estranho pensar. Difícil compreender. Após dias, meses, anos sempre juntos. Em qualquer lugar. Sem a necessidade de nos mostrar para o mundo, de dizer aos quatro ventos que nos temos. Sem a necessidade de outros olhares para dar opiniões sobre que sentimos um pelo outro. Não te ter todo o dia, está sendo bem complicado. Na minha vida, sinceramente, nunca imaginei esse momento. Acho que pelo fato de nunca ter que imaginar algum dia sem a tua presença. Achava simplesmente que esse dia nunca iria chegar ou simplesmente fechei os olhos. Mas, tive/tenho que me conformar. A palavra é essa: conformar. Pois, compreender, não compreendo. Não consigo. O tempo fez isso acontecer. Já não temos 13, 14, 15 em que tudo era bem fácil. Temos responsabilidades enormes em cima dos nossos ombros. Dificuldade de se adaptar a esse novo mundo que entramos sem pedir permissão e nem com um convite de antemão.
Está sendo tudo novo pra mim, é estranho pensar que preciso fazer novas amizades, me permitir entrar na vida de outras pessoas, me preocupar com problemas de outras pessoas, saber da vida de outras pessoas, contar meus problemas... nunca imaginei o quão isso seria complicado, nunca mesmo. Sabes o quanto, pra mim, é difícil ter que “viver” com outras pessoas. O quanto sou fechado para novas amizades, o quanto não consigo permanecer com elas por muito tempo. Sabes o quanto és exceção. Porém, tive que me mudar pra ver se consigo conciliar a falta que me fazes. Me sinto incomodado.
Um dia, dois dias no máximo estão sendo difíceis. Algum dia além de me conformar, vou me acostumar. Não aceitar. Fazes muita falta: todo dia, em cada passo dado.  

“E se o tempo for te levar. Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar”