26/12/2011

Controvérsia


"O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde demais
Pra pedir perdão... Pra fingir que não foi mal
Uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
"sempre em frente" foi o conselho que ela me deu
Sem me avisar que iria ficar pra trás
E agora eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, eram as grades da prisão

O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde demais
Mais uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
É a última janela iluminada
Nada de anormal...Amanhã ela vai voltar
Enquanto isso eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, me enganei outra vez

Eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, era só solidão...
"

22/12/2011

Rouge

‎                                            "Amar e se comunicar se tornou quase impossível para os homens. 
                                                                          Só a fraternidade poderá uni-los..."


A idéia de fraternidade estabelece que o homem, enquanto animal político, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos. Este conceito é a peça-chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. A palavra é eventualmente confundida, distorcida com a expressão caridade e solidariedade. Enquanto fraternidade expressa a dignidade de todos os homens perante seus direitos sociais e igualando-nos, a idéia de caridade cria uma desigualdade, na medida que faz crer que um possue mais direitos e é superior, logo, finda o vermelho. A fraternidade não é independente da liberdade e da igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas.

21/12/2011

Aponte e reme!


                                                                   (Jules et Jim - 1962)

Estava assistindo a um filme do diretor François Truffaut, que particularmente é um diretor que admiro muito, e neste filme: Jules et Jim, há um diálogo muito interessante e sensato:
Jules: -“Eu invejo você pela sua sabedoria Jim!”
Jim: -“Eu? Eu sou um fracasso. Esqueci a diplomacia. Não sou rico. Mas, o que me tornarei? Curioso. Isto não é uma profissão, não ainda. Viaje, escreva, traduza. Aprenda a viver em toda parte. Comece de uma vez. O futuro pertence aos curiosos.”
Curiosidade. Sensação libertadora de atraso. Chute ao comodismo. Adeus ao marasmo. A raiz do medo assombra muito o ser humano, não o deixa apreciar, sentir novos sabores e dissabores, seja qual for o motivo. Perdem-se oportunidades de ampliar a visão. Neste mundo infinito, há tanto desconhecido. Intocado. Inóspito. Por isso, levante-se, procure, leia, veja, sinta! Não há mais dolorosa morte do que a de ter morrido sem ter vivido o possível e o impossível. Faço da curiosidade o meu cerne, minha catedral.

17/12/2011

Dor. Monossílabo. 3 letras. Substantivo abstrato. Peso enorme.

14/12/2011

Idiossincrasia


Minha solitude é árdua e vagarosa como um caracol que se desloca na sua lentidão sobre o limo de sua própria costa.

12/12/2011

Vou estar aqui, seja simples ou não, vou estar. Por mais recheado de dúvidas. Por mais confuso. Medo? Sim, tenho. Confesso. Futuro incerto esse, não? Mas, vou seguir em frente. Só se preocupe em não largar a minha mão... Sentiu que eu apertei a sua?

10/12/2011

Nunca fomos tão felizes!


Tudo bem, não acordei com o melhor dos humores neste sábado. Alguns mais chegados diriam que não é uma grande novidade, 60% de razão. Mas, é extrememante irritante essa exigência de estarmos felizes todo o dia e o dia inteiro, não? Eu, pelo menos, me aborreço demais com isso. Principalmente, nesse tempo de final do ano. Vish! Felicidade imposta por berlindas, cânticos natalinos, vermelhos-verdes e sorrisos de desejo de um ano melhor. Não que eu não goste disso, apenas, não gosto de nada forçado, nada mecanizado, nada imposto. Ações compelidas! Isso tudo me dá náuseas. Como se a felicidade fosse um estado induzido por máquinas que aceitam todo o tipo de cartão de crédito. Ou, ainda, como se fosse manuseável estabelecer um período mágico com cheiro de solidariedade e compaixão. Evidentemente, não tenho absolutamente nada contra a felicidade e o que ela representa. Porém, contra imposições e artificialidades, tenho tudo. O que eu quero afinal? Nem eu sei ao certo, para ser bem sincero. Me igualo à meia-dúzia de desajeitados não encaixados nessa magia, nesse brilho não-eterno, de mentes manipuladas. Que venha 2 de janeiro! Onde as pessoas começam a ser o que realmente são, onde mostram a ignorância, o desprezo, a carne viva de suas faces. Gosto disso! Quando todos são verdadeiros consigo e com o mundo. É um alívio! Haja ceticismo pós-moderno para conviver com tudo isso. Ai, que saudade da boemia da bossa nova, apesar não ter vivido nesse tempo. Tempo de dor de cotovelo, solidão e melancolia. No tempo que doer era tão bom. Não era estúpido. Não era estranho. 

07/12/2011

O meu coração lírico 
se alegra e muitas, muitas vezes chora.
Ele senti, arde
Ele reclama, neura
É um coração amante
é um coração de poesia, nada de prosa
é um coração de versos, estribilhos 
Se amado, se anima, se conforta
Desprezado, murcha e sangra
Se abandonado...
míngua e pára de pulsar.

30/11/2011

Exaustão

Cansei! Cansei de palavras, cansei de gestos, cansei de ações. Cansei de dúvidas, cansei de nuvens, cansei de pisar incerto. Cansei de ir, cansei de me deslocar, cansei de passos à sombra. Cansei de mim, cansei dos meus pensamentos, cansei dos meus exageros, cansei dos meus monólogos, cansei da minha solitude, cansei de choros na madrugada, cansei de fingir estar feliz, cansei de rir quando quero me desaguar, cansei de responsabilidades, cansei de tarefas, cansei de prazos, cansei de me usarem, cansei de respirar. Cansei desse mundo. Não pertenço a ele! Já cansei de dizer tudo isso.

29/11/2011

Verde Prometido


Essa, pra mim, é a nossa foto mais linda, a que chega mais perto do que nós somos. Tu em meus braços. Eu tentando te proteger de todo o mal que possa vir a mexer contigo. Às vezes falho, mas sempre estou ferido por tentar. Me colocaria na frente de qualquer coisa para te proteger, sem repensar, é imediato. Morreria por você, não tenha dúvidas. Eu, tão pequeno e frágil brincando de salva-vidas. Me transformas. Perto de ti, sou forte, robusto, enorme. Me dás tanta força que aguento qualquer dor por ti. Diversas vezes quero sofrer no teu lugar, chorar por ti, não permitir que a tristeza tome conta da tua alma, desculpa por falhar. Te tenho como uma irmã de alma. Esse encontro lindo que a vida reservou para nós. Essa energia toda que conspirou ao nosso favor. Agradeço sempre por teres vindo dividir comigo a minha vida, minha história, meus passos. Realmente, és uma parte de mim, uma parte enorme que sinto falta dia após dia. Que não consigo viver sem, és um órgão vital no meu corpo. Me conheces como ninguém, sabes de longe, sentes o cheiro, decifras as minhas maiores dúvidas. Nu fico à tua frente, sem máscaras, sem medo. Sou quem sou, sou extremamente: feliz. Dividimos segredos, buscamos soluções, caímos, levantamos, nos arrastamos: JUNTOS. Palavras são inúteis para tentar me explicar, como diria Drummond: " Se você consegue explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicaçãoes possíveis". Eu te amo! Acho pequeno até dizer isso. Mas, é o que em palavras consigo, mas sabes que dentro de mim, é muito mais. Nesse 29 de novembro uma felicidade nasceu, um amor foi doído por uma mãe, um grito veio ao mundo. Esse dia é muito comemorado por mim, essa bênção que foi o teu nascimento. O que mais tarde teve mais sentido ainda: nosso encontro. E, é nesse entrelaço de almas que estamos. Fortes, fracos, românticos, sentimentais. De todos os "para sempre" que já usei, és o que mais vai durar. Temos muitas vidas pela frente ainda. Muito o que viver, dividir. Muita poesia, muito teatro, muita moda, muitas letras. Parabéns, amor da minha vida!


"És apenas tu mesma, arbusto digno
  que promete florir e cumpre
  na hora certa o verde prometido." 

(Carlos Drummond de Andrade)

28/11/2011

Célebre Lírico

"Eu quis carinho, preocupação, aventura, colo e sopa de ervilha, mas só ganhei sacanagem. Com esses meus próprios erros, aprendi que não dá mesmo pra confiar em mim. Faltei as aulas sobre como não transformar contato físico em afeição. Me basta um olhar, um sorriso comedido, umas palavras banais. Pronto. Meu planeta enguiça. É que não resisto deitar muitas noites de quinta ao lado de alguém sem me apaixonar pela dor que a dúvida me dá." (Gabito Nunes)

18/11/2011

Sobre Passos e Bukowski

"Se vai tentar
siga em frente.

Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena." (Charles Bukowski)

13/11/2011

Jogue fora o dicionário!


Sabe aquele momento em que você não sabe explicar com palavras? Pois é! Já falei demais.

11/11/2011

Achar Perdido



As palavras murmuram-me
infinitos caminhos,
mapas destroçados debaixo dos dedos de meus pés.
E eu aqui, perdido em mim
Cubro-me...
As palavras importunam-me, aborrecem-me, 
sinal verde ao som a romper
o silêncio que hoje é a minha vida (?).
Escondo-me de mim, dele, dela, deles
Escondo-me...
Pois a realidade é amargamente calculada: matemática.
Por isso prefiro meus sonhos
que são docemente dispersos: literatura.
Previsivelmente a desviar de mim.
Previsivelmente a desejar sumir
em um estalar de dedos, em um estouro de balão,
em um piscar de verdes olhos
Desaparecer.

10/11/2011

Nefelibata

"Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você."

                    "Eu sonhei que estava exatamente aqui, olhando pra você.
                     Olhando pra você exatamente aqui" - Dia dia, lado a lado
                                (Jeneci e Tulipa) - Simplesmente: paz.
"Dar-te-ei finalmente os beijos meus
Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus.
Esses embalam... esses secam... mas esses ficam."

"Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois"

Marcelo Jeneci: nefelibata, sonhador, metafórico, belo. Simples canções. Valor enorme. Escreve para quem senti. Para quem fecha os olhos e sente paz ao escutar sua melodia. Para quem esquece dos problemas por alguns minutos e a serenidade toma conta do corpo. Lírico! Novo talento velho. Novo prazer meu de todas as manhãs. Novo cantarolar pela casa. Nova admiração.    

09/11/2011

Solitude



"Quem sou, que assim me caminhei sem eu
 Quem são, que assim me deram aos bocados
 À reunião em que acordo e não sou meu?" (Fernando Pessoa)

07/11/2011

Ferrugem


Estou cansado, de verdade. Estou desgastado. Não sinto mais prazer. Tudo está demais conhecido, habitável. O tédio faz de mim sua morada. Necessito de novidade. Estou enfastiado de tudo que eu ouço, vejo, leio, sinto. Estou cercado de poeira. O vento que passa por mim já tem o cheiro e sabor extremamente reconhecidos. Quero uma catarse! As pessoas estão muito normais para mim, muito previsíveis. Vejo pessoas com a mesma idade que eu, se divertindo tanto, aos finais de semana, indo para as mesmas coisas há bastante tempo: festa, badalação, gritaria... diversões instantâneas e momentâneas. Prefiro mil vezes ficar em casa comigo ou conversar com os amigos em um lugar afastado, calmo. Sou um velho de 18 anos, admito. Às vezes fico com saudades de momentos que ainda não vivi. De sentimentos que nunca senti. De pessoas que não conheci. Estou exausto de tudo, de todos. Estou enclausurado. Enjoado desse meu eu. Quero um novo! Estou em busca enquanto a luz do sol não se apagar e houver ar para respirar. Exagero nas palavras, meus versos estão usados, borrados. Minha vida está um verdadeiro ponto em seguida, onde eu vou caminhando, seguindo... ferrugem.


"No mais, mesmo, da mesmice, sempre vem a novidade." (Guimarães Rosa)

31/10/2011

Desconexo

                                                        
Nada mais poético do que não ter certeza de absolutamente nada. Para quê ter  fingir ter convicção sob algo que lá na frente pode te surpreender? Os melhores amores, sentimentos, sensações e emoções não são palpáveis, escapam entre os dedos, vêm das maiores dúvidas. Tudo segurado à força torna-se real demais para essa vida e, logo, perde seu nobre valor. 
                                                             

26/10/2011

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Na minha vida sempre pus metas escritas em pedaços de papéis. Muitas delas, não realizei. Não culpo ninguém, e seria um tolo se o fizesse. Mas, sempre acredito na minha capacidade de ultrapassar limites. Nas transformações que habitam o meu ser. Sou meu próprio inferno. Todas as interrogações profundas no meu cerne são devido a minha personalidade, ou quem sabe, a falta dela. Às vezes me ponho em uma redoma de vidro, porém depois de alguns segundos saio dela. Esse caos enfrentado. Essas sufocantes responsabilidades me frustram. Me fecham. Me cercam. Me levanto. Caminho. Cambaleio. É muito difícil. Viver é tarefa árdua. Ainda mais quando se é questionador. Poucas pessoas e coisas me agradam. É preciso ter força. E, a encontro em seres que dividem comigo os sentimentos mais sublimes. Agradeço a eles. Sei que sou capaz. Forte. (Fraco). Acho que o falta pra mim é degustar novas experiências. Tudo tá com poeira. Conhecido. Não desejo mais sentir esse vácuo. Essa rotina controladora de impulsos, de devaneios, me fere. Enquanto não ocorre alteração, tenho a minha vida na madrugada. Meus silêncios. Meus desabafos. Meus choros. Meus gritos. Meus textos. Meus filmes... Tenho a mim.

24/10/2011

Último Discurso


"Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."
(O Grande Ditador - Charles Chaplin)


Após 71 anos, tais feridas, ainda, permanecem abertas. 

23/10/2011

Transparência

Não peço nada além de sinceridade: um tapa na cara, uma verdade que fere, um soco que acorda. É melhor que qualquer tipo de sonambulismo ilusório. As pessoas se habilitam a isso, pensando que, de alguma forma estão amenizando a dor: colocando um pano por cima, varrendo para debaixo do tapete. Pelo contrário, a dor não sentida hoje, se duplica, triplica, quadruplica, qualquer que seja o "plica" no amanhã. Não alimente futuras noites em claro no tremendo escuro da madrugada. Monólogos. Devaneios. Diga que está com saudade quando, verdadeiramente, sentir isso. Não esbanje pseudos-preocupações. Não desperdice "eu amo você". Raízes retiradas matam as flores, as frutas, as folhas... Esperança de um mundo no qual poderemos confiar no que seja ouvido, escrito por qualquer pessoa.

20/10/2011

Título da Postagem


"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..." 

(Mário Quintana) 



18/10/2011

Rosas de Plástico


Sintético. Ferrenho. Inflexível. Imortal. Intransigente. Fechado. Casulo. Sem chaves. Intransitável. Assim são as pessoas "rosas de plástico". Sem raiz, não se alimentam do que vem da terra, não se sujam nem se nutrem. Próprias escolhas. Qualquer lugar. Vaso sem água. Mesa de jantar. Entrada da casa. Poeira.Tem auto-proteção grandiosa, sendo assim, mínimas vezes desabrocham para o mundo. Idéias centradas. Racionais. Cérebro. 10º graus. Lógica. Pouco sofrimento. Pouco envolvimento. Pouco ardor. Pouca entrega. Medo? Lágrimas de cola quente. Cicatrizes as fazem atrofiar. Belas, como todas as flores, tem a inteligência como característica atrativa. Rosas de plásticos explicam o que sentem, tentam decifrar o amor e sonham pouco. Rosas naturais sofrem mais, aprendem mais, amam mais, sonham demasiadamente. Estão dispostas na hora, simplesmente, vão... Como já diria a música: "As flores de plástico não morrem". Estão lá firmes e fortes. Enquanto, as naturais fenecem, porém como toda matéria viva: renascem. Após cada baque, queda, choro. Rigorosas. Corajosas. Prontas para um novo ciclo.

30/09/2011

Quimera.

Sonhos são perfeições lanhadas pelas imperfeições da realidade. O mundo é nosso. Não apenas um. Todos. Pode-se criar, desenhar, destruir quantos quisermos. Somos donos. Tudo é inteiramente nosso, desde a mais alta nuvem até a maior profundidade do oceano. Não há quem possa retrair nossa imaginação. É um poder inóspito. Somos heróis. Despertador tocando. Hora de acordar. Mais tarde você volta para aquele vôo entre as nuvens.


19/09/2011

Pedras no Caminho.


Sofrer é tão necessário quanto estar feliz. Acho que até mais, pois (na maioria das vezes) só aprendemos na dor. Evoluímos quando o nosso calo é pisado, nosso coração é apertado. Por muitas vezes sofremos porque simplesmente nos submetemos a isso. Agarramos conosco o sofrimento e não queremos largar. Dependemos dele. Sobrevivemos por ele. Triste. Desnecessário. A solução está à frente, é só abrir os olhos. Sair desse quarto. Abaixar essas músicas. Enxugar essas lágrimas escuras. Levantar-se. Jogar fora tudo que nos puxa para baixo. Areia movediça. Interrompe nossos passos. Limita nossos sonhos. Junte toda a dor sentida e arremesse bem longe. A partir daí, deixe que o curso da vida fazer seu trabalho. Os bons fluidos agirem.Vida é um ciclo: dor e amor/prazer, quando olhamos esse dois atrás de nós e entendemos o porquê do sentido, a lição foi aprendida. Evolução. Crescimento. Na hora, todas as soluções menos plausíveis surgem. Mas, no fim, tudo faz sentido.Tudo.

18/09/2011

Com(igo)panhia.

Quem esquece de si, não tem como encontrar outras pessoas. Quem não tem amor pela sua pessoa, não tem como, verdadeiramente, verbalizar um "eu te amo". Por muitas vezes, esquecemos de nós. Colocamo-nos em detrimento. Ficamos com poeira. E, só limpamo-nos quando sofremos. Aprendendo na dor. Pertencemos a nós. Somos nossos donos. A minha vida me pertence e o meu Amor é todo meu. É desse amor próprio que consigo me apaixonar por um outro alguém. Parece que só somos felizes quando estamos cercados por pessoas. Não há nada mais prazeroso que rir comigo, assistir a um filme que amo, comer besteiras, ouvir músicas gritando, curtir o meu silêncio, o meu espaço, a mim. Nunca estou só. Estou comigo. Sou alguém e o mais importante da minha vida porque, se eu mesmo não me suportar. Quem vai?

"Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo 
que não fosse saudável... 
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa 
que me pusesse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama
... Amor-próprio." (Charles Chaplin)

17/09/2011

Eu sou uma pergunta.


Se definir é bem árduo. A partir desse momento encara-se o mundo de uma nova forma. Põe à frente um circunscrito. Pôr um adjetivo após a pergunta: "quem sou eu?" é digno de coragem ou insensatez (?). Não cabe a mim. Não me permito. Adjetivos cessam. Transitórios. Sou cheio de crises. De tudo que se possa imaginar. Não verbalizo. Não sei resolver. Ninguém sabe. Vivo cada dia na sobrevivência que tenho ou vivo na vida que me leva. Sobrevivo e vivo. Há dias escrotos e lindos, normal. Mas, a cada dia sinto-me diferente. Quando olho pra trás, vejo o quanto mudei, não me refiro a aparência física, isso pouco me importa. Refiro-me à questões antes inimagináveis. A pensamentos antes longínquos. À situações antes de fazer-me de cego. Passei por tudo, e cá estou. Não sei de nada, quem sabe? Sou um apenas um jovem num mundo de bilhões de anos, que colocará pés para tropeçar e mãos para levantar. Na velha e derradeira frase: "definir-se é limitar-se", onde está o erro? No "se". Não se ponha dentro desse verbo. Há um limite enorme, uma faixa ao alcance dos olhos. Vôos fragéis. Raízes ferrenhas. A qual verbo refiro-me? Só vejo um nesta pergunta - sinônimos. Cada situação faz de mim uma outra pessoa. Naquele momento, sentindo na tez, posso adjetivar-me. Após: ?. Eu sei só de uma coisa. Prazer, Antônio. Pergunta respondida.

15/09/2011

Como nossos pais.

Reclamo. Quero embora. Desejo sumir. Não voltar nunca mais. Retratos de infantilidade. Digo que sei de tudo. Sabidão. Do que sei? 18 anos. Mal vivi. Me acho superior. Aumento a voz, digo que posso fazer tudo sozinho. Desdenho. Não obedeço. Não ligo. Diversas vezes saio sem dar tchau. Não ouço. Tampo os ouvidos. Tranco o quarto. Me fecho. Imponho. Quero logo. Quero agora. Nesse instante! Quero o sim. Um não me mata, me corroe. Saio sem o guarda-chuva. Chove. Surdo. Besta. Babaca. Vou pelo lado contrário. Sofro. Doí. Machuca. Antes de ir, recebi um aviso, mas estava com fones. Imbecil. Volto. Cão arrependido. Rabo entre as pernas. Quero colo. Quero você. Ninguém mais. Peço desculpas. Choro. Sou acolhido. Braços serenos. Encontro paz. Encontro lar. Me encontro. Me conheces mais que ninguém. Me amas mais que tudo. Saí de ti. Por que insisto em desviar de ti? Querendo me enganar, que sou diferente de ti. Sou você. Você sou eu. Interligados. Laços eternos. Infindáveis. Respiro mais forte, sabes o que ocorre comigo. Penso que te engano. Quem se engana aqui? Eu, claro! Desobediente. Mal educado. Grosseiro. Me desculpa de novo? Não faço mais. Juro! Ciclo vicioso. Estás ali. Mesmo lugar de sempre. Eu por aí. Aprendendo a viver. Caindo. Levantando. Lutando. Precisando de você a cada dia. Queres o melhor pra mim. Não queres que eu sofra. Impossível. Não queres que saia dos teus braços. Cresci. Estou grande. Pesado. Preciso passar por muita coisa ainda. Evoluir. Transformar. Ter orgulho de mim. Já vou. Peço a bênção. Tchau, meu filho, cuidado. Traduzo. Eu te amo.

30/08/2011

Dentes, Garras, Sangue.

Ele girou o pedaço de pau com toda a força, pondo no giro todo o peso de seu corpo. Quando o objeto atingiu a cabeça do oponente, ele sentiu seu corpo tremer e quase parou devido o impacto. Suava em abundância. Houve um esguicho de sangue, que espirrou em sua blusa branca, deixando em evidência aquele vermelho, cor de cobiça.
A platéia urrava por mais. Aquilo ali, não era o bastante. Xingavam com vigor. Pressionavam. O espetáculo apenas estava no começo. O próximo chegou, outro homem preparado para lutar vorazmente até o último suspiro. Trocavam-se apostas. Quem seria o campeão? Circulavam próximo ao outro. Não havia ódio, rivalidade. Somente, a vontade de ganhar, a vitória era o que mais importava. Ouro, fama e dinheiro estavam ao alcance do vencedor, mas antes deveriam ultrapassar todos os obstáculos. 
Suor e sangue eram um só. Músculos enrijeciam exaustivamente. Rodeavam-se como animais selvagens, sem razão, apenas emoções primitivas. Sobreviver era o principal. A única e mais importante coisa que importava naquele momento.
Ele avançou com o pedaço de pau que, logo, fez sangrar a cabeça do oponente. Em seguida, acertou um chute, derrubando o adversário, aproveitando-se disso para dar mais chutes no estômago. O público urrou mais uma vez em um frenesi insaciável. Ele arfava com dor e continuava a espancar a massa morta que um dia fora seu último oponente. A platéia aplaudia estontiantemente enquanto o narrador berrava o mais alto que sua voz permitia para anunciar o vencedor. O campeão estava exausto. Foi uma fera sedente. Agora, descansava no pódio. Estava contente. Realizado. 


(O que você faria por vitória, sucesso, reconhecimento?  Qual tipo de armas usaria? Qual animal seria despertado em você?)

20/08/2011

Maneater.


Se há uma pessoa que traduz tudo de maravilhoso que vivi em um ano de minha vida e fez dele, um dos melhores, essa pessoa, sem dúvida é você! Não sei o que nos fez sermos amigos, companheiros... Foi algo divino, vejo assim, chegaste na hora em que eu estava só, ao redor de 70 pessoas aleatórias. Vieste com cuidado e foste me conquistando de uma maneira tão forte, tão simples... Com cada piada idiota, com cada ato distraído. Foi apenas mais alguns dias para nossas almas se conectarem, pronto, estava feito. Estávamos juntos, a partir daí, dividimos alegrias, confissões, tristeza, principalmente, éramos nós mesmos, sem algum tipo de vergonha: patetas, crianças de 15 anos. Como apenas um toque faz com que as pessoas mudem? Mudaste. Mudei. Mudamos. Fiquei distante bastante tempo, verdade. Isso me entristece muito, perdi vários acontecimentos em que a felicidade estava presente e ausente. Não os compartilhei contigo. Porém, de nenhuma forma estavas longe, esquecida dentro dos meus pensamentos, sempre pedi a Deus ou qualquer outra divindade, que te protegesse e iluminasse teu caminho por onde quer que pisasses. Mas, estou de volta e fico bastante impressionado como "nada" mudou, continuamos os "mesmos". O mesmo amor, carinho, afeto, admiração um pelo outro. Está aqui a Amizade. Mudamos demais, não é? Cada escolha que fizemos... Nos adaptamos à elas, demo-nos as mãos e remamos. 
Hoje, vejo-te com outros olhos, vejo que amadureceste demais, não és mais aquela menina que chegava à sala chamando atenção de tudo e todos, com um grito ou alguma queda (rindo). Pela pessoa que és, Amiga, sinto admiração. És uma mulher de personalidade forte, de alma boa, não ingênua, de um coração tão belo, que poucos o tem, sinto-me lisonjeado por tê-lo comigo. 
Quero que sejas muito feliz, Amiga. Que cada escolha que fizeres seja a mais sensata, e se não for, não se preocupe, pois estarei contigo, ao seu lado. Que compartilhemos muito momentos juntos por essa vida linda que há abrindo-se a janela. Parabéns! Amo você. 

"Everybody look at me me
I walk in the door you start screaming
C'mon everybody what you here for
Move your body around like a nympho
Everybody get your neck to crack around
                    All you crazy people c'mon jump around" (2008/(...) - você)

16/08/2011

Eu > tu > ele.

Em uma sociedade predominantemente capitalista, a idéia de um ganhar e outro perder, é quase um pleonasmo. Viver aos moldes do capital exige de todos o despertar de um animal com sede de vitória. Assim, o sistema - impiedoso - exclui a minoria que não se adequa, logo, dá início a preconceitos, repugnâncias, violência. Altruísmo se vê pouco, em oposição ao rei dos discursos: "Eu posso, Eu quero, Eu faço..."
Um exemplo desse egoísmo nato é a escola, onde a forma de se sobrepor ao outro é em um conhecimento (falho), onde aprende-se a calcular, interpretar questões e redigir textos rapidamente. Entretanto, quem consegue driblar tudo isso com maestria é denominado inteligente. "Todos" querem esse lugar. Então, começa  uma guerra, em busca do poder de ser esclarecido, mas não sutil. E quem está de fora é considerado burro, preguiçoso. A verdade é que se aprende mais na rua do que em quatro paredes que fazem um ângulo de xº.
Porém, houve, sim, um tempo em que o homem por sobre a Terra viveu em harmonia. Difícil de acreditar, mas houve. Nos primórdios do planeta, os antepassados viviam bem em comunidade, a partilha era lei que vigorava. Todos comiam. Todos bebiam. Interdependência. Para reprimir esse sossego adquirido pelo homem, o próprio criou as tecnologias, indústria da moda, dinheiro. Antes, o líder era aquele que obtinha maior conhecimento. Passado alguns séculos esse conceito mudou. Foi propriedade de terra, escravos, operários e, hoje? Pedaço de papel com faces de homens poderosos, representado em objetos que se fenecem, se deterioram. 
O que se vê, se vive é o atrofiamento do cérebro, como consequência o atrofiamento das idéias e ideais. O eu está demais em vigor, conjugado em verbos egocêntricos. Perde-se o nós: Nós faremos, Nós conseguiremos, Nós ajudaremos. Onde está? No período das cavernas, certamente, esquecido pelo homem, esse animal troglodita.

13/08/2011

Suor, lama e bolhas de sabão.

Levei a minha irmã ao parquinho semana passada. Uma coisa banal, não? Que passa despercebida. Mas, depois de algum tempo sentado esperando o tempo passar, refleti a respeito do que estava diante de mim. Bateu uma saudade. Ao assistir todas aquelas crianças: rindo, brincando, gritando, se sujando, percebi o quanto a infância me faz falta, o quanto ter 4, 5, 6 anos é nostálgico. Cada um de nós é o que é, pela infância. Tudo o que somos, o que pensamos, o que queremos é construído nessa etapa da vida. Elaboramos um "nós". A infância é o chão sobre o qual caminharemos o resto dos nossos dias. Se for esburacado demais tropeçaremos mais, iremos cair com menos dificuldade e quebraremos a nossa cara - o que pode até ser benéfico, pois nos dará um leque de chances para reconstruirmos nossa face, quem sabe até uma face mais autêntica, mais nossa, sem necessitar de detalhes alheios. Todos os contornos do nosso eu são compostos nessa etapa e são eles que proporcionam a nós o tamanho de nossas ampliações e limitações. Como escutamos a frase: "criança não pensa", não é? Criança pensa! E, faz algo mais importante que quando amadurecemos, esquecemos: ela é. Admirando uma mancha na parede, um sujo em suas mãos, um inseto na grama, uma rosa no jardim, ela é tudo isso que repara. Da mesma intensidade que ela é a frieza e indiferença dos adultos, assim como o amor verdadeiro. A criança tem algo mais válido que a consciência, do que o anjinho e o diabinho, ela obtém o saber inocente. Perdemos essa sabedoria da inocência na medida em que vamos crescendo em altura e conhecimento, e assim nos encaixamos em outra realidade. Triste o fato de atingirmos a idade em que tudo se complica, parece sem novidade, olhamos pra uma flor, céu, sol, chuva: corriqueiros. Triste também pensar que a realidade bate a nossa porta todo dia, exigindo que estejamos de pé às 6h para estudar, trabalhar, engolir o café da manhã. Responsabilidades fazem de nós quem somos, o que - na maioria das vezes - queremos. Fazem de nós animais selvagens. Não é culpa dos outros se somos incompletos. Em cada estágio pode-se colocar um traço, algum ponto, uma cor no projeto que pretendemos ser. Somos tudo isso. Construído na infância. Aperfeiçoado na maturidade. 

09/08/2011

Epiderme da Alma.


A forma como a alma se expressa é serena, mansa, sem crista ou depressões. A fisionomia da alma é a da paz. A alma não se enaltece nem se desanima. Se expressa sempre no mesmo grau, pelo motivo dela não buscar nem evitar, simplesmente: nada. Não tem que ir nem chegar. A alma resisti ao que é enxergado, sem ter que justificar-se. A alma se diverte e existe sempre da mesma maneira. Tudo para ela é vida, ardor. A expressão da alma é a mais pura, singela e real do seu eu interior. Do seu esconderijo mais profundo. Do lado obscuro que habita cada um. O ser interior, quando se expressa, é a expressão da verdade, daquilo que é sentido e visto além dos olhos, sem subterfúgios, sem joguinhos sociais, sem maquiagem. Tudo é despido. Jogos e máscaras só encontram pontos em seguidas em outros jogos e máscaras, onde a permissão é encontrada. A alma quando se expressa, é sentida, vista e amada. A sua expressão toca o fundo das pessoas, de maneira sublime. Tocar as pessoas é um aspecto da alma. Para acharmos a pessoa do outro, precisamos nos expressar com a nossa alma. É ela que atinge, transforma e faz atiçar na alma: a proximidade, o toque. Na vida, não há caminho de ser efetivo sem a expressão da alma. É necessário que a alma do outro se expresse para ser recebida e atingida pela sua. A sua alma é um convite para a expressão da alma do outro. Se sua alma se esconder, se evitar, você estará demonstrando ao outro que a alma dele também não poderá ser exprimida. Então, não haverá a colisão curativa. Ele perceberá que junto de você não existem meios para que a alma dele se expresse. Uma vez que você evita a sua própria, como, então, poderá receber a dele ou a de outros? Você só receberá a alma do outro se estiver à vontade com a sua, harmonioso com seu eu. Você só achará o outro se antes tiver se achado com você. Sem você não poderá existir o outro, não poderá haver elos.

09/07/2011

Gotas.

Vejo. Reparo. Detalhes, para mim, são bastante importantes. Alguns passam despercebidos, confesso. Não sou tão minucioso assim. O que me faz mais parar e em seguida refletir, perder a noção do tempo, é a natureza. Tão elegante. Tão exuberante. Tão ali. Deixa-me por várias vezes perplexo. A sua imensidão me espanta, arrepia. Deixa-me com várias interrogações. Sinto muito isso. A partir daí, reconheço minha pequenez, que sou apenas uma grão de areia, perto de um oceano, céu, horizonte. Sou tão insignificante em comparação à Ela. Se eu morresse no instante que estivesse parado a observando, o que iria mudar? O oceano iria mudar de cor? O céu iria apagar suas nuvens? Óbvio, que absolutamente nada iria modificar-se. Eu viraria pó, o vento carregaria-me e o céu continuaria com seu lindo azul e suas nuvens formando a nossa imaginação. Sempre foi assim, é assim. Admitamos, somos: nada, perto da magnitude do que é posto a nós, do que está tão perto e que não ligamos, até desdenhamos. Somos nada perto da grandiosidade do mundo. Somos tão pequenos em todos os sentidos. Pequenos e hipócritas. Pequenos seres a serem guiados e inspirados na tentativa de compreender o verdadeiro sentido da vida, da alma, do universo. Tão pequenos, tão pequenos, que vivemos à procura de um mundo perfeito para nós. Em busca de um mundo sem desigualdade, mas que o preconceito assola nosso espírito. Tão pequenos, tão pequenos que nos contentamos com meio minuto ou alguns centavos. Que alicerce é esse? Somos inferiores, desculpe a franqueza. Somos a consequência, esquecendo da causa. Esquecendo do que somos: gotas, na tentativa do engrandecimento para, pelo menos, transformarmo-nos em meio copo d'água. 


07/07/2011

Go.

Realmente, não sei o que pensar de você. Desaparecem pensamentos meus ao seu respeito. Sumiste. Não tenho idéia, nem sei o porquê. Estalar de dedos. Fumaça. Fiquei abismado, cheguei até a pensar que o "erro" estava em mim. Mas, refletindo bem e conhecendo-me, o erro não está em mim. Achas que vou te culpar? Não, pois não há erro. Nunca teve. O que houve foi início, meio e fim. Pronto, isso. Cada parte foi necessária. Cada estágio. Cada fase. Nunca pensei que fôssemos ter algo. Sincero, estou sendo, escrevendo isso com o nescau quente ao meu lado. No começo (e concluí ao fim) achei que ia ser uma aventura. Não ia dar em "nada", algo simples e rápido, foi de fato. Parece que assinei uma espécie de contrato, com cada cláusula devidamente lida e entendida. Escrevi meu nome inteiro. Não me arrependo. Gostei. Nossa, que eufemismo! Posso colocar, o advérbio de intensidade muito, próximo ao gostei? Foi divertido, posso dizer assim. Diferente. Novo. Porém, passou, como as palavras ditas, que foram poucas, na medida certa para não haver ilusões, expectativas. Cada gesto, da maneira certa para sentir falta. Agora, encontra-te aí e encontro-me aqui. Separados pelo hoje. Entretanto, juntos pelo ontem. Pelas lembranças. Pela memória.

06/07/2011

Sobre champagne e poeira.


Algo me toca, me balança, me arrepia. É algo nunca antes sentido por mim, que meu corpo desconhece, que faz minha alma ficar cheia de perguntas. Foi assim que chegou, do nada - mesmo esse nada significando tudo. Quando chegou deixou-me em dúvidas, penumbras, pisar infalso, areia movediça. Pisei, no início, com calma, tive medo. Recuava, diversas vezes. Até, que decidi dar outro passo. Escolha difícil. Sabia que o preço seria caro. Fui. Encontrei um chão mole. Uma paisagem cinza. Tive medo. Prossegui. Já encontrava-me dentro, não poderia mais recuar. Abaixei-me. Senti, aquele cheiro nunca sentido, o olfato desconhecia. Rapidamente, entendi. Conhece o cheiro de novo? Do livro recém comprado, do carro zero, aquela sensação após o champagne ser aberto: renovação. Sensações completamente diferentes habituavam meu corpo. Assim, encontrava-me, com um champagne à mão. Vivendo o novo. Respirei. Inóspito era o mundo pelo qual invadi sem bater à porta. Fui entrando. Colocando meus chinelos no tapete, sentando no sofá, ligando a tv e deparando-me: comigo. Seria tudo aquilo um sonho? Na tv, me vi de forma estranha, como se eu  fosse antes, talvez, um personagem. Quis botar no mute, mas ouvi tudo. Nesse mundo já cresci, pus-me ao vento para ser guiado. Perdido. Hoje, encontro-me, aqui, com a sensação de que a existência, de cada ser, é a constante busca do desconhecido, sendo assim uma eterna descoberta do que somos e em que lugar queremos estar. Sempre ampliando, aperfeiçoando e enriquecendo a vida. Essa vida, que por vezes é esquecida tornando-se: simples, prática e chata. Desse novo mundo, já sinto saudade dos momentos bons. Para trás eles ficaram, assim como, essa sensação que nunca mais terei. Foi uma sensação única, ímpar. Minha. Será repetida, sim, com certeza. Mas, com um pisar mais forte. Com uma leve poeira sob. (Tudo mudou, menos meu costume de fazer o que for)

17/06/2011

Soletre Felicidade


Se tudo na vida é relativo. Relativo também é o conceito que cada um traz consigo da felicidade. Para uns, felicidade é: verdinhas no bolso, cerveja na geladeira, roupa nova no armário. Para outros, a felicidade representa o sucesso, a carreira brilhante, o simples fato de se achar importante, ainda que não seja, na verdade, bem assim. Para outros tantos, ser feliz é enxergar o mundo, é conhecimento vasto das coisas da terra e do ar.
Mas, para mim, ser feliz é diferente. Ser feliz é “apenas”, ser gente. É ter vida.
Ser feliz é ver todo dia 
Um sorriso de criança;
É música, dança, corpo
Paz 
e o prazer de descobrir que a cada dia
A vida reinicia, a cada alvorada.
Ser feliz é ter azuis na janela, 
É suco de maracujá, 
É pipoca na panela, 
E um CD de MPB, 
Para esquentar o coração.
Ser feliz é aproveitar ao máximo um sol radiante, 
Frio agasalhador
Chuvinha ou temporal,
Sentir o arrepio do vento em minha pele.
Felicidade, 
é sentir seu gosto em minha boca, 
seu toque em minha pele, 
seu cheiro em meu corpo, 
sua nudez em meu mundo, 
sua sensualidade em minha vida, 
seu amor em minha alma.
Soletro felicidade: v-i-v-e-r.


   

15/06/2011

Detrás




Não procure idéias óbvias,
raciocínios lógicos.
Não perca seu tempo nessa busca.
Sinta! 
Não formule.
Leia com os ouvidos
Ouça com a pele.
Escute o sussurro de cada letra que foi formada, dita, escrita...
Guarde.
Não apenas passe os olhos pelas linhas
Busque o que há por trás: o escondido, o inóspito.
Não se engane com sorrisos, lágrimas, despedidas
Há diversos fatos por debaixo dos panos, por trás dos olhos, por trás da alma.
Busque entender a mensagem,
A discordância da arte, do ser...

13/06/2011

Sereno (?)


Sede. Oscila. Marca presença. Nesse momento, tenho sede de mais paz, de serenidade, de calma. Sede de poder sentar e, simplesmente, vir as “reticências”. De olhar para o nada e pensar nele, sem o amanhã para me beliscar. Tenho sede de relaxar, de o meu corpo poder ter tempo e mais tempo para usufruir o mero: silêncio. Necessito até da última gota que é desperdiçada junto ao copo. Quero enjoar-me, afogar-me, para que possa voltar com a certeza de que bebi bastante da fonte. Som dos pássaros voando, cabelos ao vento e olhos fixados no infinito fazem uma falta enorme e deixam-me com a garganta seca. 

02/06/2011

Desconectar

Diversas coisas nos prendem. Fazem-nos parar, evitar. A claustrofobia está tão presente. O dia-a-dia é tão asfixiante. Os sentimentos por vezes são esquecidos. A realidade fere nossa pele, faz com que nos esqueçamos do que há por dentro, esfria o coração tornando-o um mero pulsar. O amanhã nos arrepia, nos congela. Esquecemos que o nosso corpo fenece, não admitimos ficar doentes. Queremos saúde, mais saúde, essa física. Deixando de lado a espiritual. Esquecemos de nos libertar de pessoas, opiniões, sentimentos enraizados em nossa falência. Botamo-nos em um quarto escuro, ficamos acuados, aceitamos. Esse quarto escuro que fere a alma. O homem é uma criação divina. Embora todos os avanços da ciência tentem decifrar a combinação perfeita para recriar algo, pelo menos, semelhante a nós, as limitações são evidentes. Na direção contrária o homem vai deixando-se aos montes bem devagar. As mais evidentes características que nos diferencia dos demais vivos vão sendo perdidas pelo caminho. Autômatos repetimos rotinas, tampamos os ouvidos e fechamos olhos para realidade do mundo. Fechamos a janela. Trancamos a porta. Fugimos do mundo, fugimos de nós. Encontrar a si dói, mostra o que há por trás do corre-corre. Tornamo-nos funcionários serventes a objetivos claros. É preciso que o homem tenha, na sua jornada diária, alguns minutos para si, desligando-se das influências externas, dos outros. Permitamos isso. Quantas histórias temos deixado de participar, quantas vezes privamo-nos, isolamo-nos no nosso mundo? Não há tempo para sentar e degustar nossa refeição com tempo suficiente para saciar nossa necessidade, aceleramos as garfadas, atropelamo-nos. O mundo exige bastante de nós, é fato. Mas, é diferente participar e ser tornar escravo. Doemos um instante para nossa vida. Corremos até onde estejam pessoas amadas e demos um abraço, com a mente aberta, limpa. Renasçamos! Sejamos corajosos. Soltemos a borboleta. Permitamos que ela voe com toda beleza guardada em si. 

01/06/2011

Fluir para Fruir

Quantas vezes não estamos querendo controlar tudo? Controlar os acontecimentos, as situações, os outros, os nossos estados de espírito, pensamentos e emoções, até desperdiçar? Precisamos aprender a não controlar, a darmos espaço para as energias do Universo dançarem a nosso favor. O que há de acontecer, acontecerá. A vida acontece! Pra que a pressa? Trabalhemos a calma, até porque a pressão do entorno é muito grande, mas tornemos a nos levantar e deixemos... fluir.


31/05/2011

(à parte)

“Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…”

(Cecília Meireles)

O que há em uma simples palavra? Letras, sons, significados, mistérios e magia. As palavras são tão poderosas e têm um poder praticamente ilimitado. Fazem rir, alimentam os sonhos, derrubam o nosso muro de proteção, acuam torturadores. Em qualquer lugar: pensadores, críticos, poetas, professores, escritores põem em marcha um desarmado exército de palavras que invade castelos, fortalezas, masmorras, casas, escritórios, mentes, corpos. Elas sobem aos palcos, manifestam-se nas telas, habitam livros, alertam, consolam, ferem. Afagadas junto ao ouvido, acariciam a alma. São cinzentas ou coloridas. Podem destruir ou ressuscitar. Adormecer ou despertar. Prometer. Iludir. Precisamos tratar as palavras com carinho, deixar escorrer sua magia natural.



                                 (descreva com palavras o que a imagem desperta em você)

30/05/2011

Emaranhado

Tenho tanta coisa para pensar, tenho tanta coisa para decidir, para fazer, para opinar, para resolver... Minha cabeça esses tempos não anda no lugar correto, esse, acima do pescoço. Ela anda voando por aí, à procura de calma, de tempo. Só durmo tranquilo, após tudo estar pronto no seu devido lugar. Acordo formulando o que vou fazer no decorrer do dia, veja só. Regulo meus passos, vou à busca de soluções. Chegar em casa já foi há anos atrás: relaxar. Hoje, se transformou em: organizar, ajeitar, terminar. Não tenho tanto tempo para as pessoas, esqueço até de mim, de como estou "físico-psicologicamente".
Encontrei a personificação da responsabilidade. Sinto a seleção natural na minha suada pele. Nunca tive que pensar tanto no dia de amanhã, nunca administrei tanto o que deveria fazer para tudo dar certo às 8h. Nunca, o hoje foi tão rápido e curto ao mesmo tempo e o ontem um simples: alívio. Minha vida tem seguido esse ritmo rápido, sufocante. Nunca perdi tanto a paciência. Eu que antes me privava disso, respirava, contava até 1000 se possível. Hoje, não chego nem a 10. Chego a não ser paciente nem comigo.
 As contagens do calendário, as diminuições dos dias por várias vezes alegram-me e entristecem-me. Finais de semana são catarses. De repente, chega domingo e consigo pensamentos de outra semana que virá. Enquanto tudo é muito novo para mim, eu estranho, reclamo, quero fugir. Entretanto, sei que uma hora minha mente e meu corpo se acostumarão com esse ritmo. Pois, os dois encontram-se murchos. Espero que tenha equilíbrio, paz de espírito, saco, cabeça, Deus, luz... tudo que possa ajudar-me a respirar com mais calma, respirar fundo para depois sentir-me leve. Preciso de várias pessoas, principalmente, de mim. 

29/05/2011

?


Escolhas são tão difíceis. Há duas possibilidades à “esquerda” e à “direita”. Uma delas tem que ser seguida. Há nessa escolha: um perigo, o medo, uma (pré)ocupação. Não há como saber se no meio do caminho o arrependimento irá, logo, entrando. Sem querer saber se o deixarei, se darei algum tipo de permissão. Ele chuta a porta com força e se senta ao meu lado no sofá, tão calado, tão sufocante. Porém, posso encontrar a satisfação. Quando, o que espero que encontre lá no fim, seja o que no começo estava com receio ao dar os primeiros passos. Nos últimos tempos tenho vivido uma gama de opções, um leque de variáveis situações nunca imaginado. Não sei se vou fazer as escolhas certas nem para qual lugar elas me levarão e como sairei delas. Isso, só a sabedoria dos anos poderá me dizer. Não se consegue viver em cima do muro, apartar-se desse processo, todo o movimento do viver se reflete naquilo escolhido por mim a cada segundo. Ir e vir, as roupas a vestir, o sorriso a ser colocado no rosto para enfrentar as pessoas, o continuar, o dia. A dúvida está presente na minha vida. Porque é tão inútil ter certeza das coisas, qual é a graça? Perde-se a emoção, o mistério, o suar frio. Decidir é vital e também complexo, porque quando decido, influencio a tudo e a todos ao meu redor. Erro. Acerto. Cambaleio. Fico firme. Sigo. Enfrento. Vou até o fim, mesmo muitas vezes me precipitando. Apenas quando chegar ao fim da linha, colherei os frutos e medirei o primeiro passo dado. 

24/05/2011

Dissolver e Recompor


"Eu varro a sala, eu rego as plantas
Abro as janelas pro ar circular
Faço uma faxina pra limpar a casa
Faço uma faxina pra arrumar a vida
Pra dissolver e recompor
Até os infortúnios tem o seu valor
Na oportunidade de aprender com a dor
Portanto, a gratidão jorra pela fonte do meu coração
Tá no interior e ao redor
No trabalhar, no querer
Faz e não dá ponto sem nó
É o Mistério, é o Poder"

Há sempre coisas que nos abalam de alguma forma, que nos fazem ir ao ralo. É aquele velho ditado: “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. E, de repente diante de nós aquela imagem já imaginada, mas não vivenciada está diante de nossos olhos. “Jorram nós” aos montes. Dissolver.

Mas, aí, temos que seguir em frente. Pois, até os infortúnios têm seu valor. Ganhamos mais força. Voltamos diferentes. Limpamos-nos. Arrumamos a vida. Recolocamos a peça que estava perdida do quebra-cabeça e... ficamos completos. Recompor.